quinta-feira, 16 de março de 2017

Cena Gótica Brasileira #7 - Lupercais

Após procurar mais e mais informações sobre a biografia da banda, simplesmente achei que não conseguiria fazer um texto falando desta, melhor que alguém que "aparentemente" conviveu com a banda e escreveu com tanto sentimento sobre alguns detalhes que jamais poderia vir da minha pessoa!



A banda Lupercais surgiu no Distrito Federal em meados de 1995 como uma opção para todos que amavam a poesia e a subversividade, e como anti-matéria para os adeptos do rock besta e engraçadinho produzido pela maioria das bandas em voga no cenário candango. Na época, a Lupercais era formada por: Wellington (guitarra), o único que sabia tocar; Graziele (Bateria); Rodrigo (Baixo); Sidney e Aline (vocais).
Para sua sonoridade inspiraram-se em bandas como Echo & the Bunnymen, Bauhaus e Joy Division, assim como no rock nacional de bandas como Muzak, Finis Africae, Pompas Fúnebres e Zero, entre outras. Antes de Aline deixar a banda, tocavam coisas do gênero étnico, canções indígenas e algo semelhante ao Dead Can Dance.



Eram guerreiros do underground batalhando por um pouco mais de cultura num meio (mal) acostumado às banalidades de um rock chocho e sem alma. Era óbvia a ligação entre a literatura e a Lupercais, graças às letras cheias de referências aos grandes malditos da contracultura: "O testamento de Caim", homenagem ao personagem bíblico tido como primeiro assassino; "Crônica de um morto cafajeste", com honras a Charles Bukowski; "O suplício de Bruno", elegia sobre a morte do contraventor Giordano Bruno; "Carne Criada", aqueles que assistiram Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, com certeza entenderão essa homenagem; "Espectros", cuja letra aborda a morte e o destino dos espíritos marginais.
A Segunda demo, lançada no ano de 1996, demonstrou o amadurecimento deles como instrumentistas. Além da saída de Wellington para entrar Robson nas guitarras, a poética de Sidney também havia melhorado bastante e nem todos os temas eram tão "malditos". Porém, a masterização do trabalho regrediu a níveis inimagináveis, prejudicando o que seria o apogeu da banda. Canções fantásticas como "Ogro Moderno", "Quando chega o dia da caça", "Sonho da Areia" e "Elegia" ilustram esse maravilhoso petardo da música mais que alternativa.



Entre 1997 e 1998, Rodrigo é acometido por profunda depressão e deixa a banda, abrindo espaço para Marquinhos (baixo) e Tharsíla (teclados). Eles começaram a compor em outros campos e, uma vez que a banda havia sofrido várias modificações desde seu início, estamparam-se novas cores em seu quadro. Foi então que surgiu a oportunidade de participarem de duas coletâneas "Atitude - Vol II" e "Violet Carson". Então, quando os horizontes pareciam se abrir, veio o pior, pois, antes mesmo de ver as duas compilações prontas, Sidney Paulino veio a falecer de um aneurisma cerebral, aos 28 anos, deixando uma grande lacuna na cultura marginal de Brasília. Realmente, foi uma ironia que sua participação em uma das coletâneas (Violet) chama-se, por infelicidade do destino, "Funeral". Restaram ainda três canções prontas, que os remanescentes da banda gravaram: "As palavras e os homens", "Império das máquinas" e "O homem das costas pesadas", com Graziele e Robson aos vocais.
Assim acabou uma pequena história de rock, assim nasceram mitos e o culto à banda Lupercais, que sempre estará presente nas noites frias de inverno, quando poetas e músicos reunirem-se ao redor de uma fogueira, regados a drogas e principalmente muito vinho…
Morpheus Affinito…

"Saudades do lendário Sidney e Graziele, meus amigos de banda e de bebedeiras intermináveis. Tenho orgulho de ter feito história com eles na Lupercais, a convite do Sidney e Grazi fomos ao fundo do poço e voltamos várias vezes…
 Aline Alessa , DF"

Bom gente eu senti uma admiração inimaginável dessa pessoa para com a banda, e isso me deu muito mais vontade de procurar as músicas e realmente ouvir e admirar a poética tão citada de suas letras, e realmente pude comprovar que é demais ♥!

Espectros:



A morte nos abandonou
Em nosso momento mais triste
A quem iremos recorrer
Agora que nossa irmã não mais existe

Somos andarilhos sem doutrina
Entregues a orfandade
Num nimbo onde a luz é um idealismo
E a sombra realidade

A quem iremos recorrer?
A morte nos abandonou
É que deus não nos tem como filhos
E o Demônio não quer nos adotar
A quem iremos recorrer?

Viramos espectros mortos vivos
Não podemos em jazigo algum descansar
É que deus não nos tem como filhos
E o demônio não quer nos adotar

A quem iremos recorrer?
A morte nos abandonou
É que deus não nos tem como filhos
E o Demônio não quer nos adotar
A quem iremos recorrer?

A morte nos abandonou
Em nosso momento mais triste
A quem iremos recorrer
Agora que nossa irmão não mais existe

Nos tornamos espectros mortos vivos
Não podemos em jazigo algum descansar
É que deus não nos tem como filhos
E o Demônio não quer nos adotar

A quem iremos recorrer?
A morte nos abandonou
É que deus não nos tem como filhos
E o Demônio não quer nos adotar
A quem iremos recorrer?
A morte nos abandonou, a morte nos abandonou....
A quem iremos recorrer?...

Bom é isso! Espero que tenham gostado, tanto quanto eu!

Beijos e até a próxima postagem!


2 comentários:

  1. Muito legal,pena o audio não ser de qualidade porque a música é muito boa,muito oitentista.

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    Respostas
    1. não achei um áudio melhor, esse foi o mais audível que consegui!

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